Laputa: Castle in the Sky (Tenku no Shiro Rapyuta)

quarta-feira, maio 22


"Um dirigível é atacado por "piratas do ar". Sheeta, uma adolescente ali detida, aproveita a oportunidade para se libertar dos seus captores, mas se vê entre a espada e a parede, pois as visitas não estão propriamente interessadas em ajudá-la, e acaba por se precipitar na direção do solo.
Lá em baixo, numa pequena comunidade mineira, Pazu vê uma estranha luz a dirigir-se para o chão, na mesma direção da mina onde trabalha. Mais tarde, os dois vêem-se obrigados a fugir de vários grupos com interesses próprios: piratas, agentes do governo e militares. Todos estão interessados em Sheeta e na pedra preciosa que traz consigo e que julgam ser a única chave para descobrir a localização de uma mística cidade que flutua nos céus: Laputa."

O filme é encantador! mostra como algumas pessoas nunca estão satisfeitas, mesmo em um mundo onde tudo é perfeito, e que ainda sim, o dinheiro não deixa de ser o mais importante.
Fala também sobre não desistir e correr atrás do que você acredita, ter "" e persistir, pois mesmo que tenham "altos e baixos" você há de conseguir o que deseja.♥





Vocês podem assistir o filme online (legendado)! Espero poder comprar o dvd em breve♥

Délicatesse

domingo, maio 19


(Everything's Alright - Laura Shigihara)
"Quando já não haver este mundo 
A lua será tudo o que veremos 
Aí te pedirei para voar ao longe comigo 
Até que todas as estrelas caiam 
E do céu, elas se esvaziem 
Mas tudo bem 
Se estiveres comigo, tudo ficará bem"

O atirador de estrelas

sábado, maio 18


(Ilustração: Ida Rentoul Outhwaite)

As praias de Costabel estão cheias de restos de vida. Conchas em pequenos montes; um caranguejo-eremita procura um novo lar, seu corpo nu na areia, onde as gaivotas vão cortá-lo ao meio. […] A morte caminha, grandiosa, em muitas diferentes formas. Cada fragmento de esponja marinha está lutando para voltar à grande mãe que a protegia e nutria.

O mar rejeita seus filhos. Eles tentam, mas não conseguem retornar, por causa das ondas que repetidamente os jogam de volta à praia. Os pequenos poros pelos quais as estrelas do mar respiram estão cheios de areia. O sol sobe mais no céu, e em pouco tempo elas estarão encolhidas, secas. A guerra sem fim é silenciosa. Apenas as gaivotas gritam.

Quando desci os degraus para a praia, ouvia o rugido das ondas. [...] Diante de mim, um arco-íris de gigantesca perfeição passava a existir. Uma figura humana parecia estar dentro dele, inconsciente de sua posição, olhando fixamente para algo na areia.
Ele se curvou e jogou o objeto para além das ondas que se quebravam. Quando consegui chegar aonde ele estava, o arco-íris tinha se afastado, mas algo de sua luz brilhava no rosto do homem. Ele se ajoelhou de novo.

– Está viva –, eu disse.

– Sim –, ele respondeu, e com um gesto rápido e delicado pegou a estrela e a jogou sobre minha cabeça, para o oceano. Ela afundou levantando espuma, e as águas rugiram outra vez.

– Pode ser que viva –, ele disse. Falava com gentileza, e a luz em sua face bronzeada e cansada mudou de cor, sutilmente. – As estrelas –, ele disse – são resistentes. Podemos ajudá-las.

Ele olhou para mim como se tivesse feito uma pergunta, e não uma afirmação. Concordei com a cabeça e fui embora, deixando-o sobre a duna, junto ao grande arco-íris. Quando olhei para trás, ele estava jogando mais uma estrela. Por um momento, pareceu magnífico, como se semeasse grandes estrelas em um oceano ainda maior. Ele tinha a postura de deus...
Ele é um homem, eu disse a mim mesmo… O jogador de estrelas é um homem, e a morte é mais rápida do que ele. A morte corre, muito mais rápida do que ele, por todas as praias, em todo o mundo.

[...] Acordei com uma missão: encontrar o atirador de estrelas. [...] Em algum lugar, está um homem jogando estrelas de volta, sob o arco-íris. Tínhamos conversado pouco. Eu não tinha nada a dizer, apesar da minha profissão e da minha experiência. O homem era louco, pensei. E seus atos de loucura são do tipo que eu não aprovo. Sou um observador, um cientista. Ainda assim, não posso negar que vi o arco-íris tentando se prender ao solo.

Encontrei o homem que jogava estrelas em uma ponta da praia. O arco-iris da manhã lavado pela chuva espiavam por trás dele. Em silêncio, peguei uma estrela ainda viva, girei o braço e a joguei de volta ao mar.

– Pode me considerar também um jogador –, eu disse. E pensei: ele não está mais sozinho. E depois de nós, virão outros. Somos parte do arco-íris. Um projeto inexplicável da natureza.

[...] Peguei mais uma estrela e atirei-a ao mar. [...] Era como semear. Uma semente de vida. [...] Joguei mais outras, enquanto em torno de nós rugiam as águas insaciáveis da morte. [...]

Pálidos e solitários, sentíamos como se fossem homens que tentávamos salvar, junto com as estrelas. Eu podia jogá-las alegremente, mas posicionei meus ombros para atirá-las devagar, deliberadamente, e não errar a pontaria.
[,,,] Em algum lugar, pensei, em um grande impulso atávico, o Grande Jogador de estrelas sabe o que estamos fazendo.
Peguei uma estrela cujos tentáculos se aventuraram timidamente pela minha mão, como se ela estivesse silenciosamente gritando por vida. Atirei-me junto com ela, para alguma dimensão desconhecida da existência.

Amanhã eu voltaria a andar na tempestade... [...] com o conhecimento revelado pelo atirador de estrelas, uma pista que indica que existe, à nossa espera, inexplicavelmente, alguma coisa maior do que o papel que os humanos dão à natureza. Aprendi isso com o homem dentro do arco-íris, o atirador de estrelas nas praias de Costabel”.

[ The Star Thrower - Loren Eiseley]